Nerdisse dá miopia?

O primeiro assunto que, pelo menos do meu estranho ponto de vista, vale a pena comentar é sobre os Nerds. Ah, sim, vale a nota que, apesar de erroneamente me chamarem de nerd, este post não é sobre mim. Bem, talvez seja… Ok, vamos lá!

Hoje andando pelos corredores da Universidade Federal do ABC, um interessante local para se observar o comportamento das mais variadas espécies, notei a existência de dois seres. Estavam conversando. Até aí, nenhuma surpresa, afinal de contas as relações interpessoais não são nem um pouco restritas.

O que me chamou atenção nesta distinta dupla foi o assunto. Conversavam sobre Magic The Gathering, o que é pra quem não sabe um joguinho de cartas no estilo RPG, jogado geralmente pelos nerds de 12 à 16 anos. Ou seja, esses caras eram muito nerds.

O fenótipo também não negava. Foras de forma, com cifose postural (leia-se corcundas) e, vejam só, de óculos! Como diria minha avó, “ambos os dois” usavam lentes tão grossas que dava até para ver o número do lote carimbado (entendam aqui, amigos leitores lerdinhos, que as lentes são fundos de garrafa, por isso o número do lote). Aí caí nessa questão…

Ser nerd causa miopia?

Acredito que todos os leitores das resenhas periódicas da minha vida já tenham visto um nerd que usa óculos. Ou talvez só tenham visto nerds que usam óculos! Enfim! Todos àqueles amigos meus que liam mangás durante o intervalo das aulas no ensino médio, todos aqueles que jogavam World of Warcraft às sextas-feiras e aos sábados à noite e todos aqueles magrelos ou gorduchos cheios de espinha e que jamais falavam sobre mulher e… Bom, chega, né? Enfim, todos usavam óculos!

É um absurdo! Portanto, criei algumas teorias para explicar esse fato!

Teoria número 1:

Os nerds utilizam muito suas vistas, seja jogando vídeo-games, assistindo TV, jogando computador, lendo mangá e afins. Logo, são mais propensos à desenvolver deformidades no globo ocular. As pessoas normais gastam suas vistas somente na hora da prova, colando do coleguinha nerd ao lado.

Teoria número 2:

Os nerds não se incomodam em utilizar óculos com as lentes mais grossas que o braço do Schwarzenegger. As pessoas normais, mais descoladinhas e ligadas à moda (leia-se fúteis) se incomodam, e acabam usando lente.

Teoria número 3:

Os nerds já nascem com isso no sangue. Já são desenhados por Deus dessa forma. Se houvesse uma publicação com o destino das pessoas, nas dos nerds estaria escrito “usarás óculos fundo de garrafa por toda vida, não farás sexo até os 32 anos ou mais e jogarás Magic na faculdade, constrangendo inclusive à si mesmo”.

Enfim, depois tem mais. Vocês concordam com alguma?

O mundo é mágico

Vocês não suspeitam de nada?

Toda minha filosofia de sorrir, todo meu jeito irreverente, diferente e estranho de ser, toda positividade que eu me esforço pra passar…

Sabe, eu não vejo o mundo como um lugar onde devemos cumprir metas e objetivos. Onde temos uma missão e devemos cumpri-la de maneira a completarmos nossa existência para, depois de tudo, sucumbir.

Eu não quero entrar aqui no mérito de discussões religiosas, políticas ou pontos de vistas. Eu quero me comunicar exatamente com aquela criança que já existiu em você! Aquela criança que assistia aos musicais da Disney e achava que tudo era possível.

Eu quero essa criança porque é examente este pequenino lado seu que sabe viver. O mundo é mágico, é lindo e é completo. Quando eu posto no meu Twitter que o dia está lindo e que você deve dar um sorriso, eu realmente falo sério!

Sorria, dê gargalhadas, como se você fosse parte fundamental de um musical do Alladin! Olhe para o céu, veja como é bonito o Sol quando este aquece nossa vida, dando um maravilhoso tom dourado às tranqüilas e pomposas nuvens brancas, perdidas diante de uma imensidão azul de paz.

A vida é colorida, alegre e faz questão de ser bem generosa quando tenta transmitir estas características, então aceite. Aceite o que a vida lhe tras de bom, tendo consciência de que um novo dia é algo de bom.

Sorria para tudo e todos, dê bom dia até para aquele seu vizinho chato que nem sequer olha para você! Dê abraços em todos que você gosta e faça feliz inclusive aqueles que te magoam. Seja positivo!

Se me perguntarem o segredo da felicidade eu respondo sem hesitar: positividade! Seja positivo! Veja tudo com bons olhos! O fora, a reprovação, a recuperação, a falha, o erro… Em tudo na vida da-se jeito, e tudo sempre tem um lado positivo. Encontre-o!

Se tiver dificuldades, não tenha medo, sorria! Ficar irritado, emburrado, ansioso ou estressado só fará com que tenhas mais um problema a resolver. Se ame, se valorize e dê a você exatamente aquilo que merece: a felicidade! E tenha consciência que esta não depende de ninguém neste mundo além de ti!

Cante, dance e não esconda quem você é ou o que você sente. Nâo mude por nada, seja você.

Depois eu continuo!

Saindo com “A” mulher – Visão Masculina

Baseado neste post resolvi criar a minha versão, um pouco diferente! :) E, abaixo, a obra:

Acordo já sabendo que é esse o sábado em que vamos sair, só nós dois, e que tudo pode rolar. De manhã, tudo normal, exceto que me olho no espelho e não gosto. “Caramba, ontem eu estava tão bonito”! Mas não tem erro, até as 19h eu já fico bonito denovo. Durante o dia, nada de comidas gordurosas (para não deixar a pele oleosa), nada de comer demais (para esconder a pança) e, durante a tarde, correr. Correr? Sim, me deixa menos ansioso e eu tenho a sensação, mesmo que só psicológia, de que a barriga está ainda menor.

Conforme as horas vão passando, eu já começo a achar que vou me atrasar. Depois dessa fase, vem a fase do medo. Ainda não rolou nenhum SMS, nenhuma ligação ou nenhuma mensagem no Orkut confirmando que realmente vamos sair! E se não vamos? Ela pode ter dito sim pra eu parar de encher o saco! Droga! Mas não posso arriscar!

Volto pra casa e faço a barba, direitinho. Deixo o rosto 100%. Depois, vem o banho. Um senhor banho! Lavo o cabelo e penteio. Não gosto muito de gel, então deixo ele secar na posição adequada que aí ele fica no lugar! Saio do banho ainda um pouco preocupado. Nunca consigo resistir! Mando um SMS bacando o irreverente, mas no fundo estou com o c* na mão e quero confirmar tudo. Geralmente, eu escrevo “e aí, preparada pra mim essa noite”?

Sou muito xavequeiro. Muito! Então quem sai comigo geralmente já está acostumada. Depois disso, só de cueca, eu como alguma coisa, tudo para evitar que eu fique com mal-hálito depois. Faço aqui um adendo: eu como de cueca e com o celular na mão. A explicação? Faço o máximo de esforço o possível para não transpirar, e eu tenho que receber uma mensagem.

E, falando em mensagem, a bendita chega: “claro que sim bandidão! umas 21h aqui, né”? E eu respondo com uma outra irreverente mensagem, geralmente algo íntimo do tipo “claro que sim meu amor”!

A maratona, então, começa agora! Vou escolher a camiseta ou camisa. Penso no estilo que eu mais sei que ela gosta (sério, moleque, brincalhão, brega, cafona…) e escolho a camiseta. Coloco. Fico meio barrigudinho. Troco, pego uma mais justinha. Fico meio estranho. Pego ainda outra que fica ótima em mim, mas ela já me viu com esta, e não faz o estilo dela. Droga, e agora? Volto pra primeira, me olho de outros ângulos e penso “tá aceitável”! Escolho a calça. Isso é fácil, pego aquela de 500 reais que fica no fundo do armário e eu só uso em ocasiões especiais. Combina com qualquer coisa, afinal é um jeans.

O tênis, geralmente o branco. Menos se a camiseta for muito escura, não sei, não gosto… Aí eu pego o preto. Penteio novamente o cabelo e penso se coloco ou não gel. Tento colocar, fica uma caca. E toma outro banho pra lavar a cabeça. Seco o cabelo com secador. Fica lindo! Agora é a vez dos dentes. Escovo, escovo, escovo e escovo. Afinal. eu quero que ela sinta um gosto bom na minha boca. E um cheiro também. Feito isso, passo perfume. Muito perfume!

casal-cachorro-abracado

Já estou quase me atrasando… Entro no Google Maps e descubro como chegar onde ela mora. Na verdade, já havia pesquisado antes, mas essa é a olhadinha final pra decorar o caminho. Pego minha chave, meus documentos, os documentos do carro e saio. No rádio, coloco na pasta do pendrive que mais condiz com o gosto dela, claro. E já deixo o controle no jeito: quando ela entrar, fica de deejay!

No caminho, fico nervoso. Cada vez que o carro para eu começo a roer minhas unhas, que a essa altura já são banhadas pela luz vermelha do semáforo fechado. Me perco, como de praxe, mas me acho, depois de três voltas. Chego lá, dou uma ligadinha: “Oi amor! Tô na sua rua”! E agora, faço o quê?

Essa parte é complicada. Como eu a espero? Me faço de indiferente dentro do carro, fico dando tchauzinho e farol alto igual um imbecil ou saio do carro e a encontro na porta do prédio? De tanto pensar, escolho a primeira opção, forçadamente, porque quando eu olho o retrovisor vejo uma das imagens mais bonitas. Vejo a garota que eu quero chamar de ‘minha’ procurando meu carro. E ela acha, sem minha ajuda, claro, porque eu estou todo bobo pensando em o que farei para beijá-la.

Quando ela entra, dou um oi normal, e fico mais tranquilo. Ela pergunta: “achou aqui fácil”? Eu respondo um curto e seguro “sim". De repente, putz, eu não pensei onde levá-la. Droga! Já sei, vamos em algum barzinho por aqui! Antes, claro, pergunto: “Quer ir para onde”? A resposta é sempre “ah, decide você”, mas é educado perguntar.

Vamos ao barzinho. Papo vem e papo vai. Eu percebo que sou engraçado. Ela não para de rir à nenhum instante. Começo um assunto mais sério, ela parece surpresa. Caramba, falei de ex’s e ainda não dei o bote. Sou um lerdo agora… Enquanto conversamos, a vontade de agarrá-la e beijá-la só aumenta. E eu fico cada vez mais travado. Caramba, com 20 anos ainda não consigo ficar com uma menininha?

Meu ego me obriga a agir de alguma forma. Chego perto, pego a mão dela e falo alguma coisa engraçada. Afinal, tudo que eu falo é engraçado. Ela ri, mas eu olho nos olhos dela e, puxa vida, roubo-lhe um beijo. O melhor beijo!

Durante a concretização do meu desejo, milhares de coisas me passam pela cabeça: Quando é hora de parar? Será que ela tá curtindo? Poxa, ela beija bem!

O meu beijo? Bom, eu primeiro deixo a moça conduzir, depois eu entro no ritmo e tento fazer algumas aperfeiçoações que eu achar pertinente. Sei lá se fica bom, mas o feedback geralmente é positivo.

Depois do beijo, conversamos mais. Sei lá, fica mais fácil. Fica mais natural. Fica mais mágico. É que eu fico mais seguro, então fica muito melhor pra mim. As horas passam e ela sugere pedir a conta. “Minha mãe ainda não gosta da idéia de eu ficar na rua até de madrugada”, se explica. Eu concordo. Peço a conta. O garçom traz e entrega à mim, claro. Eu pego e peço a máquina do Visa. Ela oferece dinheiro, eu recuso e pago a conta. Admito que faço isso só na primeira vez, mas faço.

Levo ela pra casa. A viagem é maravilhosa. Adoro sorrisos, e ela sorri muito equanto ri navegando pelas músicas antigas e trashs do meu pendrive. Me sinto uma criancinha apaixonada, e acho tudo perfeito. Quando chegamos na porta do prédio, fico triste. Muito triste. Ela me dá um beijo, eu falo alguma coisa e prendo ela mais uns minutinhos no meu carro. Ela me dá outro beijo e sai.

Volto pra casa cantarolando. Foi a noite perfeita, e eu adoro. Quer saber? Vou mandar um SMS pra ela. E o faço. Encosto o carro e mando uma mensagem. Em casa, penso o quanto eu quero uma segunda vez. E já começo a bolar meus planos… Aí, é outra história…

Casais injustos

Fica aí o desabafo!

Ultimamente, e cada vez mais, eu tenho visto casais que são, digamos, desequilibrados. Como assim uma das garotas mais bonitas da faculdade namora um dos caras mais feios?

Isso sem contar os casais que sou obrigado a ver no teatro, no cinema, no barzinho, na balada, nas festas ou simplesmente andando pela rua! É um absurdo, o cara não pode ser feio que todas dão em cima?

Eu acredito Eu sei que o povo não pode ver nada entrar na moda que já vai seguindo, mas namorar cara feio já é complicado… Para tentar explicar esse fenômeno eu tenho algumas teorias! Então, vou deixar o Einstein que há dentro de mim se expressar!

albert-einstein-at-beach-1945Teoria número 1:

Homens feios são fáceis de cuidar. Se o cara é bonito demais, duas coisas são passíveis de ocorrer com maior frequência: primeiro, ele pode ser um ‘puta de um cuzão’, colocar vários chifres na parceira e tudo mais. Isso porque ele deve ter mais experiência com a mulherada, e também porque mulher não é a coisa mais confiável do mundo, então elas caem matando, mesmo se o cara for comprometido.

Teoria número 2:

Essa teoria também poderia se chamar teoria 1,5 ou teoria 1.2 porque, de certa forma, é uma complementação (ou variação) da primeira. Ela diz que os homens feios, justamente por serem feios, acabam sendo mais inocentes (possuem menos experiência com a personalidade feminina) e, portanto, fáceis de abusar. E as mulheres têm percebido isso!

Teoria número 3:

Essa teoria é uma que talvez eu nunca vá saber. Por quê? Bem, é simples: eu nunca vou ter nada com um homem. Ela diz que talvez exista a possibilidade dos homens feios terem uma pegada melhor que os homens bonitos. Os homens mais bonitos possivelmente são mais experientes, pois conseguem mulher com mais facilidade. Logo, em geral, se importam mais com eles mesmos. Os homens feios valorizam mais as mulheres. Afinal, não existem tantas disponívels pra eles…

Teoria número 4:

Todos os homens feios que namoram mulheres bonitas são ricos. Isso explicaria muita coisa. Que mulher não gosta de ganhar presentinhos Dolce & Gabbana ou Victoria’s Secret quando ocorre uma briguinha e o cara quer compensar, ou que mulher não gosta de comer fora toda semana?

E vocês, o que acham? Em breve posto mais teorias! :)

O lado mais sério

Não, não é algo muito poético ou dramático. Afinal, não estou de fossa! :)

Ando muito feliz ultimamente. Há meses adotei um estilo de vida complemente diferente do que costumava seguir. Agora, recuso-me a ter preocupações ou chateações com qualquer coisa.

É fato científico que o estresse envelhece, estraga a pele e pode até levar ao óbito. Então, vamos parar de nos estressar! A receita de maior sucesso que obtive até o momento foi esta: não me preocupo com provocações, não ligo para o que pensam de mim, não temo mais diversas coisas e, o ‘ingrediente’ principal, aceito que nem sempre conseguirei fazer isso.

Confuso? Não, é simples. Farei uma analogia que fará você compreender! Veja bem, se você está fazendo uma dieta mas se entrega à um doce, por exemplo, não pode desistir de tudo. Certo?

Então, da mesma forma, se você tenta não se preocupar, não se deixar levar por provocações ou discussões e não perder a cabeça com fofocas e buxixos e se deixa levar alguma vez, não pode desistir. Ser feliz vale mais a pena!

Eu já estou ficando bom nisso! Não ando me importando com determinados comportamentos infantis e tremendamente indígnos de terceiros, o que no passado já teria me destruído. Eu curto a vida: danço, rebolo, pulo, grito, falo bobagem e dou risada de tudo. E ainda dou risada bem alto! Não dou a mínima para o que as pessoas pensam ou vão pensar. Além do mais, rir é bom, é saudável e também liberta a alma.

Adoro rir! Sinceramente, não há nada que salve mais meu dia do que risadas. Sorrisos? Admiro todos. Não importa se os dentes são brancos ou amarelados, se os dentes são certos ou tortos ou se a pessoa tem covinhas ou não: o sorriso sempre e sempre é lindo!

Exatamente por isso adoro fazer as pessas rirem! Também gosto de aparecer um pouco, claro, mas quem não gosta?

Ardonoel Coypam (4)

De cabeça cheia de maus pensamentos, Ardonoel resolveu que sairia para tentar mostrar a sí mesmo que a situação não é tão preocupante. Se voltasse vivo e saudável, sabia que conseguiria tirar doenças da cabeça e continuar seu livro. Ardonoel estava tão perturbado que seus pensamentos estavam tão distantes quanto o fim de sua obra. Ele apenas desceu a rua em direção à padaria e nesse brevíssimo percurso quase foi atropelado. O velho então decidiu que era melhor não abusar, sentou-se em uma das mesinhas de plástico em frente a panificadora acompanhado de uma garrafa de cerveja e um copo gelado.

Equanto olhava para a cerveja já parcialmente consumida e refletia sobre o “metade cheio e metade vazio”, Ardonoel se deparou com algo que mudaria completamente o curso de sua (e de nossa) história. Os olhos do nosso escritor se deliciaram com a encantadora imagem de uma mulher, que de maneira meiga retribuira com um simpático sorriso. Ardonoel não se lembrava de ter sentido tamanho encantamento por ninguém, e por conta disso falou, com a elegância de um jogador de futebol e com a coragem de um rato:

- Me acompanha?

Nosso personagem ficou surpreso quando a bela mulher aceitou o convite. Conversaram por horas como amigos de infância que possuiam muitos assuntos para por em dia. A cada segundo Ardonoel ficava mais e mais encantado. Equanto a moça falava, algumas vezes os pensamentos dele se distanciavam e seu olhar acompanhava o movimento daquela linda boca feminina. O que causava estranhamento para o próprio velho é que depois de uma analise um pouco mais minunciosa, era possivel perceber que aquela mulher era seu oposto. Muito sério e conservador, nunca teve coragem de fazer tatuagens, pôr brincos ou piercings. A moça, pelo contrário, continha no mínimo um item de cada.

Ardonoel voltou para casa, já de noite, sem nem ao menos lembrar de vírus, e com o coração batendo forte como o de um pré-adolescente apaixonadinho por uma coleguinha de escola…

Ardonoel Coypam (3)

E, naquele dia pela manhã, Ardonoel havia pensado tanto sobre o mal que antigia a humanidade que não sobrou tempo para preparar seu almoço, geralmente composto pelo tradicional arroz com feijão e bife. Sem hesitar, telefonou para o restaurante da rua de trás e encomentou uma marmita com feijão, arroz, filé de frango grelhado, farofa e salada. Ao desligar o telefone, já beirando a paranóia, o velho escritor ficara preocupado. Será que no restaurante eles se higienizavam utilizando álcool gel, como ele havia visto no jornal?

Quando o motoboy, munido de luvas e de uma grossa jaqueta de couro (ou algum sintético similar), chegou, Ardonoel, dividido entre a fome e o medo, pegou o marmitex e pagou o rapaz. Em sua cozinha, o velho pensou por exatos 2 minutos. Comer ou não comer? Como estava faminto e de ressaca, o leitor já deve saber o desfecho desse parágrafo.

De barriga cheia, Coypam sentou em frente ao livro. Dessa vez mais calmo e com menos força, segurou o lápis e, com a inocência de uma criança, estava crente de que produziria algo. Claro, amigo leitor, que estava errado. Ardonoel pensara tanto sobre Orthomiosus que não conseguia pensar em nada que não fosse a morte, a agonia ou o sofrimento dos personagens de seu livro, contaminados com a doença da moda. Desistiu e, já pela segunda vez naquele dia, o livro encontrou o ócio e a solidão.

Ardonoel Coypam (2)

Na manhã seguinte, dotado de uma familiar e forte dor de cabeça, tontura controlável porém irritante e um gosto de cerveja que persistia em ficar em sua garganta, Ardonoel decidiu que continuaria a escrever. Sentou-se com a impolgação de um ‘help desk’ e com o sorriso de um funcionário público, segurou seu lápis (lembro aqui ao amigo leitor que o sr. Coypam não escreve a caneta) como se alguém estivesse preparado para roubá-lo. A força com que o velho escritor segurava o lápis era tanta que depois de algumas palavras seu braço tremia, sua testa transpirava e, mais uma vez, o livro era abandonado.

Dirigiu-se até a sala, onde sentou e refletiu sobre o recente vírus que atingira a população. O tal Orthomiosus já havia matado centenas. Ardonoeu preocupou-se, pois, além de ter extravasado em um bar, local propício para a ploriferação do vírus, também era idoso e solitário. Pensou, como quem estivesse resolvendo os mistérios da vida, em uma forma de se imunizar. Sem sucesso, obviamente. Ardonoel preocupava-se, claro, mas não pela sua solitária vida, a qual já havia abandonado faz tempo, mas com o medo de não conseguir concluir sua obra, a única marca eterna deixada pela sua existência.

Ardonoel Coypam (1)

E essa noite, devido a sua já avançada idade, Ardonoel Coypam não conseguira escrever seu livro, deitou-se e apagou, como uma lâmpada incandescente cujo filete já não suporta mais se dilatar e contrair tanto, consequência do inverno rigoroso que atinge sua cidade. Não que nosso personagem não esteja acostumado às variações de tempo da famigerada terra da garoa, mas é que na tarde anterior Ardonoel resolveu estrapolar e, como se tivesse sido dominado pelo vírus da jovialidade, foi até uma adega e bebeu, esquecendo por hora os impedimentos causados pelo tempo e as inibições criadas pelo seu médico, doutor Valério, cujas palavras sempre ecoam em sua cabeça, mas somente quando esta está livre do tal vírus.

Infelizmente para este velho escritor, o corpo cobra o preço por tais estravagâncias, e o nosso livro fora deixado para trás por mais uma noite, aberto, ainda na página 32, encima da escrivaninha, como quem observava atentamente e em silêncio a dificuldade do velho que naquele momento andava torto, respirava com afobação e não conseguira vestir seu pijama azul.

Aniversário.

Meu?

Não! Amanhã é aniversário de São Caetano do Sul. A cidade completará 132 anos com muito estilo, ao som de Edson e Hudson. O show, gratuito, será realizado na esquina entre a Avenida Goiás e a Avenida Guido Aliberti as 20h. A entrada é gratuita porque é na rua porra.

Eu tentarei ir. Tentarei porque, afinal, deveria estar dando monitoria essa hora. Mas perder um show do Edson e Hudson pra ficar em uma monitoria que ninguém vai é muuuita mancada! Muita! Que meu cordenador que me perdoe, mas irei fugir! Ou não, sei lá. Vai do meu humor.

Mas fica a dica. Não é todos os dias que temos um show grátis. E pertinho de casa! :)