Baseado neste post resolvi criar a minha versão, um pouco diferente!
E, abaixo, a obra:
Acordo já sabendo que é esse o sábado em que vamos sair, só nós dois, e que tudo pode rolar. De manhã, tudo normal, exceto que me olho no espelho e não gosto. “Caramba, ontem eu estava tão bonito”! Mas não tem erro, até as 19h eu já fico bonito denovo. Durante o dia, nada de comidas gordurosas (para não deixar a pele oleosa), nada de comer demais (para esconder a pança) e, durante a tarde, correr. Correr? Sim, me deixa menos ansioso e eu tenho a sensação, mesmo que só psicológia, de que a barriga está ainda menor.
Conforme as horas vão passando, eu já começo a achar que vou me atrasar. Depois dessa fase, vem a fase do medo. Ainda não rolou nenhum SMS, nenhuma ligação ou nenhuma mensagem no Orkut confirmando que realmente vamos sair! E se não vamos? Ela pode ter dito sim pra eu parar de encher o saco! Droga! Mas não posso arriscar!
Volto pra casa e faço a barba, direitinho. Deixo o rosto 100%. Depois, vem o banho. Um senhor banho! Lavo o cabelo e penteio. Não gosto muito de gel, então deixo ele secar na posição adequada que aí ele fica no lugar! Saio do banho ainda um pouco preocupado. Nunca consigo resistir! Mando um SMS bacando o irreverente, mas no fundo estou com o c* na mão e quero confirmar tudo. Geralmente, eu escrevo “e aí, preparada pra mim essa noite”?
Sou muito xavequeiro. Muito! Então quem sai comigo geralmente já está acostumada. Depois disso, só de cueca, eu como alguma coisa, tudo para evitar que eu fique com mal-hálito depois. Faço aqui um adendo: eu como de cueca e com o celular na mão. A explicação? Faço o máximo de esforço o possível para não transpirar, e eu tenho que receber uma mensagem.
E, falando em mensagem, a bendita chega: “claro que sim bandidão! umas 21h aqui, né”? E eu respondo com uma outra irreverente mensagem, geralmente algo íntimo do tipo “claro que sim meu amor”!
A maratona, então, começa agora! Vou escolher a camiseta ou camisa. Penso no estilo que eu mais sei que ela gosta (sério, moleque, brincalhão, brega, cafona…) e escolho a camiseta. Coloco. Fico meio barrigudinho. Troco, pego uma mais justinha. Fico meio estranho. Pego ainda outra que fica ótima em mim, mas ela já me viu com esta, e não faz o estilo dela. Droga, e agora? Volto pra primeira, me olho de outros ângulos e penso “tá aceitável”! Escolho a calça. Isso é fácil, pego aquela de 500 reais que fica no fundo do armário e eu só uso em ocasiões especiais. Combina com qualquer coisa, afinal é um jeans.
O tênis, geralmente o branco. Menos se a camiseta for muito escura, não sei, não gosto… Aí eu pego o preto. Penteio novamente o cabelo e penso se coloco ou não gel. Tento colocar, fica uma caca. E toma outro banho pra lavar a cabeça. Seco o cabelo com secador. Fica lindo! Agora é a vez dos dentes. Escovo, escovo, escovo e escovo. Afinal. eu quero que ela sinta um gosto bom na minha boca. E um cheiro também. Feito isso, passo perfume. Muito perfume!
Já estou quase me atrasando… Entro no Google Maps e descubro como chegar onde ela mora. Na verdade, já havia pesquisado antes, mas essa é a olhadinha final pra decorar o caminho. Pego minha chave, meus documentos, os documentos do carro e saio. No rádio, coloco na pasta do pendrive que mais condiz com o gosto dela, claro. E já deixo o controle no jeito: quando ela entrar, fica de deejay!
No caminho, fico nervoso. Cada vez que o carro para eu começo a roer minhas unhas, que a essa altura já são banhadas pela luz vermelha do semáforo fechado. Me perco, como de praxe, mas me acho, depois de três voltas. Chego lá, dou uma ligadinha: “Oi amor! Tô na sua rua”! E agora, faço o quê?
Essa parte é complicada. Como eu a espero? Me faço de indiferente dentro do carro, fico dando tchauzinho e farol alto igual um imbecil ou saio do carro e a encontro na porta do prédio? De tanto pensar, escolho a primeira opção, forçadamente, porque quando eu olho o retrovisor vejo uma das imagens mais bonitas. Vejo a garota que eu quero chamar de ‘minha’ procurando meu carro. E ela acha, sem minha ajuda, claro, porque eu estou todo bobo pensando em o que farei para beijá-la.
Quando ela entra, dou um oi normal, e fico mais tranquilo. Ela pergunta: “achou aqui fácil”? Eu respondo um curto e seguro “sim". De repente, putz, eu não pensei onde levá-la. Droga! Já sei, vamos em algum barzinho por aqui! Antes, claro, pergunto: “Quer ir para onde”? A resposta é sempre “ah, decide você”, mas é educado perguntar.
Vamos ao barzinho. Papo vem e papo vai. Eu percebo que sou engraçado. Ela não para de rir à nenhum instante. Começo um assunto mais sério, ela parece surpresa. Caramba, falei de ex’s e ainda não dei o bote. Sou um lerdo agora… Enquanto conversamos, a vontade de agarrá-la e beijá-la só aumenta. E eu fico cada vez mais travado. Caramba, com 20 anos ainda não consigo ficar com uma menininha?
Meu ego me obriga a agir de alguma forma. Chego perto, pego a mão dela e falo alguma coisa engraçada. Afinal, tudo que eu falo é engraçado. Ela ri, mas eu olho nos olhos dela e, puxa vida, roubo-lhe um beijo. O melhor beijo!
Durante a concretização do meu desejo, milhares de coisas me passam pela cabeça: Quando é hora de parar? Será que ela tá curtindo? Poxa, ela beija bem!
O meu beijo? Bom, eu primeiro deixo a moça conduzir, depois eu entro no ritmo e tento fazer algumas aperfeiçoações que eu achar pertinente. Sei lá se fica bom, mas o feedback geralmente é positivo.
Depois do beijo, conversamos mais. Sei lá, fica mais fácil. Fica mais natural. Fica mais mágico. É que eu fico mais seguro, então fica muito melhor pra mim. As horas passam e ela sugere pedir a conta. “Minha mãe ainda não gosta da idéia de eu ficar na rua até de madrugada”, se explica. Eu concordo. Peço a conta. O garçom traz e entrega à mim, claro. Eu pego e peço a máquina do Visa. Ela oferece dinheiro, eu recuso e pago a conta. Admito que faço isso só na primeira vez, mas faço.
Levo ela pra casa. A viagem é maravilhosa. Adoro sorrisos, e ela sorri muito equanto ri navegando pelas músicas antigas e trashs do meu pendrive. Me sinto uma criancinha apaixonada, e acho tudo perfeito. Quando chegamos na porta do prédio, fico triste. Muito triste. Ela me dá um beijo, eu falo alguma coisa e prendo ela mais uns minutinhos no meu carro. Ela me dá outro beijo e sai.
Volto pra casa cantarolando. Foi a noite perfeita, e eu adoro. Quer saber? Vou mandar um SMS pra ela. E o faço. Encosto o carro e mando uma mensagem. Em casa, penso o quanto eu quero uma segunda vez. E já começo a bolar meus planos… Aí, é outra história…