Arizão, o reclamão

Ari era seu nome. Reclamação seu problema.

Numa manhã de clima ameno em pleno sábado, nosso personagem acordou assustado. Sem delongas pegou seu aparelho celular e viu as horas. “Caramba! Estou duas horas atrasado!”, disse. Levantou-se e em menos de 5 minutos já estava pronto: trocado, com dentes limpos e mochila nas costas.

No caminho até o ponto de ônibus Ari honrava seu sobrenome. Praguejava tanto que nem ele mesmo suportava mais reclamar! Era como se caísse em um ciclo perigoso e vicioso: conforme reclamava do horário, se lembrava que teria que esperar o ônibus, então reclamava mais. Conforme reclamava sobre o ônibus, lembrava que tinha que pagar sua passagem, então se queixava. Depois, lembrava que estava com pouco dinheiro e assim vai…

Ari reclamava tanto que acabava irritando a si mesmo. Portanto, estava sempre irritado. Além disso, sempre procurava algo pra reclamar. Se o dia fosse perfeito, Ari se esforçaria e acharia algo ruim. As vezes se arrependia. Certo dia acordou e lembrou-se de quando reclamou que seu vizinho lhe deu bom dia. Depois disso, nada de mudança: Ari reclamou de sí mesmo!

Quando entrou no ônibus, continuou a reclamar. Primeiro, porque o ônibus era velho. Depois, porque o cobrador havia lhe dado todo troco em moedas de 25 centavos. Ari reclamava tanto que suas palavras se fundiam e tudo que pudia se ouvir de seus lábios eram os mais perturbadores sussurros!

Nosso personagem não era nem um pouco feliz, como se pode notar. Era rabugento, reclamão, desagradável e baixo astral. O que mais intriga e vale a pena nessa história é a parque que segue neste instante.

De repente, ainda na zona metropolitana de São Paulo, mas já na região do ABC, Ari observa a cena que talvez seja a única que ele jamais vá esquecer nem sequer um mísero detalhe. Na porta do ônibus a silhueta da mais bela moça aparecia. Baixinha e detentora do mais belo sorriso já visto, de pele clara e cabelos escuros, a moça era tão linda que fez a garota dos sonhos de Ari parecer uma mistura de Sônia Abrão com Ana Carolina.

Ari se calou, finalmente, por cerca de 10 minutos, maravilhado com tamanha bealdade. Depois, resolveu arriscar e conversar com a garota. Obteve relativo sucesso, descobriu seu nome e seu amor por Vôlei. Infelizmente, Ari não conseguiu se conter e começou a reclamar para a moça. Reclamou do ônibus, do tempo, da cidade, do seu celular, da seleção de vôlei e, inclusive, do sapato que a moça usava.

Esta, ultrajada, saiu de perto do nosso herói, deu sinal e desceu do ônibus. Ari perdera ali o maior presente que poderia ter ganho da vida: a mais bela e simpática garota. Ficou solitário e reclamando que não tem sorte.

Hoje, Ari continua reclamando. É solteiro, sem filhos e não é promovido no emprego há 8 anos.

Não reclame da vida. Você faz com que ela seja ainda mais difícil. Você espanta as boas oportunidades que ela lhe dá. Você deixa de ser capaz de perceber os presentes que ganha. Você não consegue observar as maravilhas disponíveis nesse mundo.

Eu deixo aqui a dica: não reclame. Seja positivo! Além de ser melhor pra você, aposto como nenhum dos seus amigos gostam de ouvir muitas reclamações.

Abraços galera!

Deixe uma resposta